02/07/2026
Nova gestão do Comitê do rio Paranaíba assume com o desafio de acelerar respostas às mudanças climáticas e fortalecer a segurança hídrica
GERAL
Com renovação de 24 entidades na composição, Comitê também elegeu Diretoria e definiu grupos que vão apoiar a governança no próximo quadriênio.
Em um contexto em que as mudanças climáticas desafiam a gestão dos recursos hídricos e exigem respostas cada vez mais estratégicas do Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos, das instituições e da sociedade, o Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Paranaíba inicia um novo ciclo de atuação. A gestão 2026–2030 assume com a missão de transformar planejamento, articulação e participação em ações capazes de fortalecer a segurança hídrica e ampliar a capacidade de adaptação do território.
A nova composição do Comitê foi empossada nesta quarta-feira (1º), durante a 38ª Reunião Extraordinária. Entre as vagas preenchidas para a gestão 2026–2030, 24 serão ocupadas por novas entidades. A renovação demonstra o crescimento da visibilidade do Comitê e o interesse de diferentes instituições em contribuir com a gestão das águas. Também reforça a presença de diversos setores do território no colegiado, ampliando os olhares sobre os desafios da bacia e fortalecendo a construção de decisões conectadas à realidade regional.
A condução do novo ciclo ficará a cargo da Diretoria eleita por aclamação pelos membros do Comitê. A única chapa inscrita e homologada, União pelas Águas do Paranaíba, será presidida por Fabio Bakker Isaías, da Caesb/DF. Também integram a Diretoria João Ricardo Raiser, da Semad/GO, como vice-presidente; Polyanna Custódio Duarte, da Angá/MG, como secretária; e Leonardo Sampaio Costa, do Imasul/MS, como secretário-adjunto.

Para Fabio Bakker, o Comitê chega a este momento apoiado em uma trajetória de fortalecimento institucional, mas com o desafio de transformar esse amadurecimento em resultados concretos para a bacia.
“O amadurecimento que o Comitê da Bacia do Paranaíba vem apresentando para a sociedade é um desafio para essa continuidade e para essa nova gestão. Já temos avanços importantes, disponibilidade para construir pontes e fortalecer articulações. Agora, o desafio é compatibilizar esse processo para que ele se torne realidade e consolide o Comitê como indutor do desenvolvimento sustentável, da segurança hídrica e da capacidade de enfrentamento das mudanças climáticas”, afirmou.
Um dos principais instrumentos para orientar esse processo será a revisão do Plano Integrado de Recursos Hídricos da Bacia Hidrográfica do Rio Paranaíba (Pirh Paranaíba). A proposta é que o planejamento dialogue com as políticas públicas federais e estaduais, com os órgãos gestores, com os comitês afluentes e com as demandas do território, permitindo que as ações sejam construídas de forma articulada em toda a bacia.
Segundo o superintendente de Planos, Programas e Projetos da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), Nazareno Marques de Araújo, a revisão integrada do Plano tem papel estratégico para dar maior dinamismo às adaptações exigidas pelas mudanças climáticas.
“Neste momento de mudanças do clima, que impactam a gestão das bacias hidrográficas, precisamos ter uma nova dinâmica. O plano integrado tem a função de trazer maior dinamismo para que possamos fazer as adaptações necessárias na bacia, e o Comitê possa exercer a sua função de articulador, de construtor de decisões”, destacou.

Nazareno também ressaltou o reconhecimento da ANA ao grau de maturidade alcançado pelo Comitê e pela entidade delegatária, com avanços na governança, na execução do contrato de gestão, na captação e na aplicação dos recursos.
Entre as propostas apresentadas pela nova Diretoria está a criação da Rede de Projetos, iniciativa voltada à elaboração de projetos executivos em parceria com os comitês afluentes, municípios e demais instituições da bacia. A proposta busca apoiar a captação de recursos para ações de segurança hídrica, saneamento, conservação de solo e água, restauração de bacias e educação ambiental, aproximando o planejamento da implementação das ações.
Com a posse dos novos membros, também foram definidas as composições da Câmara Técnica de Planejamento Institucional e do Grupo de Acompanhamento do Contrato de Gestão para a gestão 2026–2030. As duas instâncias já integram a estrutura de governança do Comitê e têm papel de apoio técnico e acompanhamento das ações do colegiado.

A Câmara Técnica de Planejamento Institucional será formada por 15 membros. Pelos estados e Distrito Federal, integram a instância a Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento Básico do Distrito Federal; o Instituto Mineiro de Gestão das Águas; o Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul; e a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Goiás. A representação municipal será exercida pela Prefeitura Municipal de Araporã.
No segmento Usuários, compõem a Câmara Saneamento de Goiás S.A.; Federação das Indústrias do Estado de Goiás; Associação dos Usuários das Águas da Região de Monte Carmelo; Centrais Elétricas Brasileiras S.A.; Associação Nacional das Mineradoras de Águas Termais; e Caramuru Alimentos S/A. Pela Sociedade Civil, participam a Universidade Federal de Uberlândia; o Conselho Regional de Biologia 4ª Região; o Movimento Verde de Paracatu; e a Fundação Pró-Natureza.
O Grupo de Acompanhamento do Contrato de Gestão terá como titulares a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Goiás, a Associação dos Engenheiros Agrônomos de Goiás e o Departamento Municipal de Água e Esgoto de Uberlândia. Como suplentes, participam a Prefeitura Municipal de Araguari, o Instituto Internacional Arayara e a Associação dos Gestores dos Recursos Ambientais da Bacia do Ribeirão Santa Juliana e Região. A instância acompanha a execução do contrato firmado entre a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico, a ABHA Gestão de Águas e o Comitê do rio Paranaíba.
Na avaliação de Fabio Bakker, transformar planejamento em ação exigirá articulação com diferentes atores da gestão hídrica. “O desafio agora é compatibilizar o nosso plano, o nosso planejamento, com os nossos parceiros, com os órgãos gestores, com as agendas setoriais, os ministérios, as secretarias dos estados, trazer os comitês afluentes para essa tomada de decisão e esse empoderamento, para que tudo isso se consolide realmente em ações, para que a gente enriqueça o nosso território de bons projetos, que a gente possa captar mais recursos e possa promover com segurança o desenvolvimento da nossa bacia do Paranaíba”, afirmou.
Com a nova composição empossada, a Diretoria eleita e as instâncias de governança definidas, o Comitê do rio Paranaíba inicia a gestão 2026–2030 com uma agenda que terá como principal medida sua capacidade de implementação. Em um ciclo marcado pela revisão integrada do Plano e pela urgência de respostas diante das mudanças climáticas, o desafio será fazer com que planejamento, articulação e participação se traduzam em projetos, recursos aplicados e decisões capacitadas para fortalecer a segurança hídrica em toda a bacia.