25/06/2026
Comitê do rio Paranaíba fortalece parcerias no campo para ampliar o cuidado com a água em Rio Verde
GERAL
Entrega de biodigestores na Bacia do Ribeirão Abóbora mostra como saneamento rural, informação e participação dos produtores podem ganhar escala na gestão dos recursos hídricos.
Proteger a água exige investimento, mas começa muito antes da obra. Começa quando a gestão dos recursos hídricos se aproxima de quem vive no território, reconhece práticas que já existem no campo e cria condições para que essas ações ganhem força, continuidade e impacto coletivo.
Foi com essa perspectiva que o Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Paranaíba finalizou a instalação de 122 sistemas individuais de tratamento de efluentes em propriedades rurais da Bacia do Ribeirão Abóbora, em Rio Verde (GO). A iniciativa beneficia mais de 500 moradores da zona rural e fortalece uma relação essencial para a segurança hídrica do município: a parceria com produtores rurais que convivem diariamente com a água, o solo, a vegetação e os desafios ambientais da região.
O Ribeirão Abóbora é o principal manancial responsável pelo abastecimento de Rio Verde. Por isso, cada ação realizada nas propriedades da bacia tem impacto direto sobre a qualidade da água que chega à população. Com os biodigestores, os efluentes domésticos gerados na zona rural passam a receber tratamento adequado, reduzindo riscos de contaminação do solo e dos cursos d’água.
Para o presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Paranaíba, João Ricardo Raiser, o projeto mostra como a atuação do Comitê pode encontrar, no campo, um ambiente preparado para multiplicar boas práticas. “Quando nos aproximamos do território, encontramos um solo fértil. São produtores que já cuidam da água, que já têm práticas conservacionistas e que entendem a importância desse cuidado no dia a dia. O papel do Comitê é fortalecer esse movimento, levar informação, apoiar iniciativas e ajudar essas ações a ganharem corpo”, destacou.
A entrega dos biodigestores foi realizada em programação integrada ao Dia D de Aceiros, iniciativa realizada pela Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Goiás (Seapa), voltada à prevenção de incêndios durante o período de estiagem. A união das agendas reforçou uma mensagem comum: no campo, cuidar da água, prevenir incêndios, conservar o solo e proteger a vegetação fazem parte de uma mesma responsabilidade.
Essa integração foi destacada por representantes de instituições parceiras. Para o engenheiro da Saneago, Mario Cezar Guerino, a proteção da água precisa ser assumida como compromisso coletivo. “Se todo mundo se movimentar nesse sentido, em proteger a água, todos ganham”, afirmou.
A fala resume um dos principais sentidos do projeto: a proteção dos mananciais depende de uma rede de pessoas, instituições e práticas conectadas. O produtor rural, nesse contexto, não é apenas beneficiário de uma ação. Ele é parte ativa das soluções que ajudam a preservar a água no presente e no futuro.
Segundo Aurélio Ferreira Melo, da Emater Goiás, ferramentas e estratégias discutidas entre instituições precisam chegar de forma concreta aos pequenos e médios produtores. “É muito importante que essas ferramentas e estratégias, discutidas por diversos parceiros, cheguem aos pequenos e médios produtores, para que todos tenham condições de agir e melhorar”, ressaltou.
A atuação do Comitê passa justamente por essa ponte: aproximar o Sistema de Recursos Hídricos de quem vive todos os dias ao lado da água. Isso significa investir em projetos, incentivar boas práticas, induzir novas ações, ampliar o acesso à informação e abrir espaço para que o conhecimento do produtor rural contribua com as decisões sobre a bacia.
Para João Asmar Júnior, superintendente de Engenharia Agrícola e Desenvolvimento Sustentável da Seapa, falar sobre preservação precisa ser uma prática contínua.
“Sobre cuidar da água, o óbvio tem que ser dito e reforçado. O pequeno produtor, o morador da zona rural, precisa ser lembrado de que o cuidado, a preservação e a correção, quando necessária, devem fazer parte do dia a dia. Falar sobre cuidar nunca vai ser demais”, afirmou.
Com os sistemas em funcionamento, a estimativa é que cerca de 35 mil metros cúbicos de resíduos deixem de chegar ao Ribeirão Abóbora todos os anos. O dado dimensiona o impacto ambiental da iniciativa, mas a relevância do projeto vai além do número: ele mostra como ações locais podem fortalecer uma cultura permanente de cuidado com a água.
O projeto contou com investimento de R$ 1.372.500,00, com recursos da cobrança pelo uso da água na Bacia Hidrográfica do Rio Paranaíba, e execução da ABHA Gestão de Águas, entidade delegatária das funções de agência de água do Comitê.
Com a entrega dos biodigestores, a Bacia do Ribeirão Abóbora passa a contar com uma ação permanente de saneamento rural. Para Rio Verde, o resultado fortalece a proteção do principal manancial do município. Para o Comitê do rio Paranaíba, reforça uma diretriz de atuação: cuidar da água exige presença no território, parceria com quem vive no campo e capacidade de transformar conhecimento, investimento e participação em resultados para toda a sociedade.