29/04/2026
Fazenda modelo marca nova fase do Programa Café Produtor de Água em Monte Carmelo
GERAL
Com investimento do Comitê do Rio Paranaíba, projeto avança do planejamento à execução e fortalece ações de conservação do solo e da água no território
Uma propriedade rural em Monte Carmelo (MG) começa a se transformar em vitrine de uma experiência que une produção cafeeira, conservação ambiental e gestão da água. A fazenda modelo do Programa Café Produtor de Água entrou em fase de execução na sub-bacia do córrego Santa Bárbara e passa a demonstrar, em campo, como intervenções planejadas podem proteger o solo, ampliar a infiltração da água e fortalecer a sustentabilidade da atividade rural.
O início das ações marca uma nova etapa de um processo construído de forma coletiva. O trabalho começou com o diagnóstico realizado pela monteCCer, que levantou as condições ambientais das propriedades e identificou os principais desafios relacionados à conservação do solo e dos recursos hídricos. A partir desse diagnóstico, o Comitê do Rio Paranaíba investiu na elaboração dos Projetos Individuais de Propriedade (PIPs), entregues aos produtores em fevereiro.

Os PIPs indicam, de forma individualizada, quais intervenções são necessárias em cada propriedade. Entre as ações previstas estão adequação de estradas rurais, construção de barraginhas, instalação de biodigestores, recuperação de áreas degradadas, terraceamento e cobertura do solo. Embora os projetos sejam específicos para cada área, as intervenções seguem uma lógica integrada de microbacia, fundamental para reduzir erosões, diminuir o assoreamento e melhorar a qualidade e a disponibilidade de água.
Agora, com os projetos elaborados, os parceiros que integram a Unidade Gestora do Projeto (UGP) seguem mobilizados para viabilizar a execução das ações. Prefeitura de Monte Carmelo, DMAE, monteCCer, Conselho Nacional do Café (CNC), produtores rurais, Comitê PN1 e Comitê do Rio Paranaíba articulam responsabilidades, contrapartidas e novos investimentos para que o planejamento se converta em transformação no território.
“Nosso papel é ajudar a construir um processo que continue no território. Não se trata de uma ação isolada, mas de uma agenda permanente de gestão da água, feita em parceria com quem vive e produz na região”, afirma o vice-presidente do Comitê, Fábio Bakker.
A fazenda modelo é um passo estratégico nesse processo. Além de receber intervenções de conservação, a propriedade será um espaço de referência para outros produtores da região. A proposta é que eles possam visitar a área, acompanhar os resultados e visualizar, na prática, como o cuidado com a água e o solo também contribui para a produtividade e a sustentabilidade das propriedades cafeeiras.
Esse caráter demonstrativo amplia o alcance do projeto. Quando as ações deixam o papel e passam a ser vistas no campo, elas ajudam a mobilizar novos produtores, fortalecer o envolvimento local e atrair novas parcerias. A fazenda modelo funciona, portanto, como uma ponte entre o planejamento técnico e a adesão de quem vive e produz no território.
Para o Comitê do Rio Paranaíba, essa nova etapa reforça o papel da governança na gestão dos recursos hídricos. O Comitê atua na articulação entre instituições, produtores e setores usuários da água, contribuindo para que diagnósticos técnicos sejam transformados em projetos e para que esses projetos avancem para ações concretas de conservação.
A atuação por meio da UGP também fortalece esse modelo, ao reunir instituições locais e regionais em torno de objetivos comuns. Esse arranjo permite acompanhar a execução, alinhar responsabilidades, monitorar resultados e garantir continuidade ao Programa Café Produtor de Água em Monte Carmelo.
O Café Produtor de Água é um programa voltado à conservação do solo e da água em propriedades cafeeiras. A iniciativa combina diagnóstico técnico, planejamento individual das propriedades e execução de práticas conservacionistas que reduzem processos erosivos, aumentam a infiltração da água no solo e contribuem para a melhoria da qualidade hídrica.
Em Monte Carmelo, o programa é desenvolvido na sub-bacia do córrego Santa Bárbara, em uma região onde a produção de café tem forte relevância econômica e social. Com a execução da fazenda modelo, o projeto avança em uma etapa essencial: mostrar que a proteção da água pode ser incorporada à rotina produtiva e gerar benefícios para as propriedades, para a bacia hidrográfica e para todo o território.